O Maracanazo e Mineiratzen do professor Chico Brinati

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O professor Chico Brinati defendeu sua tese de doutorado em Comunicação e Esporte na Universidade Estadual do Rio de Janeiro em 2015. Sua pesquisa se transformou no livro: Maracanazo e Mineiratzen: Imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1950 e 2014.

No mestrado, Chico trabalhou com comunicação e política, mas resolveu voltar para o esporte para se tornar doutor, já que sempre pretendeu ser um jornalista esportivo. “A ideia foi analisar como foi essa mudança ao longo de 100 anos de seleção brasileira e as representações do discurso da imprensa esportiva sobre a seleção e como isso poderia afetar, ou não, no imaginário que o torcedor tem sobre a seleção brasileira”, explica a ideia inicial da pesquisa.

O 7×1 que a Alemanha aplicou no Brasil acabou acrescentando na tese, já que o placar histórico recebeu inúmeras representações na imprensa:  “Enquanto que em 50, a gente tem uma construção de uma tristeza na derrota contra o Uruguai, em 2014 você tem uma construção de ironia, de vexame.” Segundo Chico, “Em 50, perdemos todos como nação. Já em 2014, perderam eles, os jogadores do técnico do Felipão. Tem um afastamento, você não vê mais a seleção como um espelho da nação em que você faz parte.”

As impressões pessoais, segundo o professor, foram deixadas de lado para que fosse feita uma análise técnica dos fatos representados em 365 edições de jornais no período de 1930 até 2014. “É muito material que você tem que analisar de uma forma distante, digamos assim, dessa paixão pela seleção, pelo futebol.

Chico diz que devido a influência que o futebol tem no Brasil, sendo o esporte mais ovacionado pelos brasileiros, pelos campeonatos equilibrados ao longo do ano, estamos no “país do futebol”. No entanto, já não são as cores verde e amarelo que representam isso “O país do futebol não tem a ver com a seleção brasileira, a mudança que vemos no texto é sobre a pátria de chuteiras. Os jogadores da seleção brasileira não representam mais a síntese da nação.”

Um dos motivos atribuídos a essa mudança seria o êxodo de jogadores que vão para o exterior, e o distanciamento dos torcedores por atletas que não vestem a camisa de clubes do Brasil como é explicado por Chico “Desde 1990, com a globalização quando pudemos falar a língua de outras nações, acompanhar jogadores de outros países, nós podemos torcer para outros times. Quando esses jogadores se reúnem para a seleção brasileira é como se fosse aquela figura do Frankenstein que você não consegue se identificar, porque são pessoas que você não tem contato nenhum, é alguém que você não se identifica.” Essa “era Frankenstein” pode permanecer ou, aos poucos, ir desaparecendo. De acordo com Brinati, o inédito Ouro Olímpico pode amenizar essa “quebra na identificação da torcida com a seleção brasileira”.

Os 100 exemplares da 1° tiragem praticamente se esgotou no lançamento de Juiz de Fora que aconteceu dia 18 de agosto. Agora, os interessados em saber um pouco mais sobre a trajetória do Brasil nas Copas do Mundo, devem entrar no site da editora onde os livros continuam a venda. Para Chico, “A procura dos alunos foi muito interessante, obviamente que é um livro que não ficou tão barato, 50 reais, mas acho que vale a pena o investimento. No lançamento consegui vender quase todos os livros e futuramente estará disponível na biblioteca da UFSJ para quem quiser consultar”.

Texto: Vanuza Resende

Revisão: Julia Benatti

Imagem: Arquivo pessoal

 

 

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